segunda-feira, 27 de junho de 2011
Você tem razão
Remexo minhas memórias para localizar um caso que não encontro. Mas posso afirmar, com certeza, este foi um grande problema - intransponível, por sinal, no meu primeiro casamento. Discutimos muito pouco, outro problema enorme, mas o pouco que debatíamos se resumia ao esforço que eu fazia para provar, comprovar e demonstrar que eu estava certa. E ele, errado - sempre, é lógico.
Então, é óbvio, que o meu posicionamento desta maneira só poderia resultar em uma reação: "Não. Quem está certo sou eu". E nenhum dos dois discutia mais a situação e suas possíveis soluções porque o mais importante era um convencer o outro da razão certa - que sendo uma só, só poderia ser a minha. Até porque, eu como todos sabem não erro. Nem sem querer, muito menos por vontade. E se eu não errava, muito menos o meu marido à época, com certeza, chegaria a tal conclusão sobre si próprio.
As conversas não tinham conclusão. Acabavam sempre em um cansaço de dar dó. Os dois exauridos e tensos. Até que o desfecho já tão previsível foi substituído pelo silêncio infinito. Tudo fora do lugar e tão próximo de se acertar, mas ninguém tinha mais nada a dizer.
É tão burro isso e de uma burrice tão evidente que chego a pensar que depois que me corrigi, este problema deve ter sido varrido da face da terra.
Não há uma só razão para coisa alguma. Uma só pessoa tem várias razões ou visões sobre uma mesma possibilidade. Vivemos de tentar escolher a melhor, a cada oportunidade. Se escolhemos uma, perdemos as outras alternativas. E todas - a escolhida e as relegadas, certas - ou erradas.
Imagine duas pessoas, diferentes em educação, gosto, religião, time de futebol, aspirações profissionais, políticas e sociais. A tentativa de viver em comunhão, sob a égide de um projeto comum, não elimina estas diferenças. Nelas, existem várias razões e todas erradas ou todas certas ou metade certas e metade erradas, conforme o estilo, a posição e o interesse de um ou outro.
Por isso, o foco não deve ser na própria razão. Nem na razão do outro - o que também seria um grande equívoco. A atenção deve estar centrada no nosso sentimento, com respeito ao sentimento do outro, mas com o carinho máximo, maior, sobre o que sentimos e fazemos e principalmente sobre o que fazem conosco ou em relação a nós. Tenha certeza, isso não é egoísmo. Meu foco é, em primeiro lugar,é o meu sentimento, mas o meu objetivo é a manutenção de um relacionamento saudável, harmonioso.
Este é um super princípio para estabelecer limites que nos protejam e resguardam a nossa identidade e contribuem para relações bacanas. É uma prova de amor próprio. Sinceridade para com a gente mesmo. Temos que reconhecer o que nos agrada, o que nos toca, nos alegra, nos entristece ou nos enraivece e reagir diante disso, com muita compreensão pelo outro, mas cheios, prioritariamente, de auto-respeito.
"Você tem razão, mas isso, dessa maneira, me entristece, me deixa mal. O que podemos fazer? Eu não sei a solução, mas será que podemos encontrá-la juntos?" Já pensou em começar a próxima conversa assim?
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Resistir ou não resistir?
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| Foto: Marcio D. Trevisan |
quarta-feira, 27 de abril de 2011
A mocinha e o maconheiro do bairro
Três meses de namoro escondido, eu já a fim de romper, meus pais descobrem a façanha. A casa caiu. Eu, então, não poderia terminar o namoro porque pareceria sucumbência à determinação alheia, ainda que superior. Mantive-me durona, o namoro firme.
Coube ao meu pai a tarefa de conversar com a filhota. Foi aí que tive uma grande lição, que me deu base segura para a edução dos meus próprios filhos.
Só nos dois, sentados à mesa da cozinha, sem absolutamente nada que pudesse nos atrapalhar. A conversa objetiva, mas plena e densamente carregada de amor. Primeiro, com a calma que lhe era peculiar, checou as informações que ele já tinha. Eu, serenamente, sem medo ou petulância, confirmei.
Na sequencia, disse: "Rê, pelo que eu conheço de você, pelo que eu conheço desse moço (ele morava no mesmo bairro e a nossa família se relaciona com a dele) não há motivos para esse namoro dar certo. Eu sei como você foi educada. Pela experiência que eu tenho, gostaria de poder evitar que esse namoro prosseguisse, porque temo que você sofra e isso é algo que eu não quero. Mas a vida é sua e as escolhas devem ser suas para que você tenha as suas proprias experiências. Eu quero que você saiba que este é o seu primeiro namorado e eu e sua mãe estamos ao seu lado."
É lógico que eu me apaixonei ainda mais pelo Geraldão, o meu pai. De cara, mesmo do alto dos meus 16, identifiquei com quanta sabedoria estava cercada. Sem um mílimetro de pressão ou chantagem emocional. Ele ainda se mostrou orgulhoso por eu estar iniciando uma nova e maravilhosa fase de vida: a dos namoros.
O namoro? Ah! Foi só o primeiro mesmo.
Esse ensinamento me guia até hoje, principalmente no relacionamento com os meus filhos. A vida é sua, a escolha é sua, as consequencias - boas ou não, são suas. Eu continuo mãe, oferecendo conselhos e experiências se me pedem; às vezes nem pedindo. Normalemente, ajudo-os oferecendo a possibiloidade de analisar os vários cenários previsíveis em qualquer situação. E quando concedo uma opinião, ressalto a necessidade desta ser tratada apenas como uma opinião e não como sugestão e jamais como imposição.
Valeu, Geraldão! Você foi o máximo na minha vida. Enorme privilégio para mim. Grande Geraldoterapia!
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Você quer morrer de "quem vai lavar a louça"?
A notícia boa é que esta doença tem cura. Comigo, aconteceu assim.
| Foto: Marcio Trevisan |
O nível de stress estava altíssimo. Eu, para variar sobrecarregada. Os filhos, no auge de quase tudo de controverso que pode acontecer na adolescência. O marido, companheiro sim, mas o "reclamão" de tudo e sempre. Todos, com os nervos à flor da pele. E a louça, que não fui eu que sujei, para lavar.
Neste cenário, decidir quem ia lavar a louça transformou-se em uma verdadeira guerra, com argumentos, contra-argumentos, rancores e ressentimentos desenterrados, numa discussão que evoluía para a desarmonia total, um cansaço tremendo e relações completamente desestruturadas. Autoridade nenhuma era capaz de por fim à crise. Depois da batalha, restava a louça suja para eu lavar.
É claro que logo cheguei a conclusão que isso não poderia continuar. Preparei-me para a próxima vez, que não tardou a chegar. Decidida, me via preparada para me impor e resolver definitivamente a questão. Quando chegou a oportunidade, foi a pior de todas. A baixaria chegou ao ponto de o filho de 17 anos se arrumar para sair de casa, acompanhado da solidária irmã de 19. O filho de 8, desnorteado. O marido usando de todos os recursos da chantagem emocional sobre o valor da mãe deles para chamar a atenção dos enteados - que jamais reconheceriam a autoridade do padrasto.
E eu? Incrível, mas neste caos, eu vi a solução.
Em estado de grande exaltação me vi, com uma super crise de hipertensão. Em segundos, estaria sendo levada ao médico, tendo um infarto fulminante no meio do caminho. Morta, enfim. Velório com filhos e marido comovidos, talvez justificando algum remorso. Amigos e conhecidos a procura do que ocorreu nos meus últimos minutos de vida.
E os diálogos: - "Do que foi?"; "Infarto, fulminante" - "Mas como? Ela parecia uma pessoa tão calma. O que aconteceu?"; "Foi uma crise decorrente do "quem vai lavar a louça". É claro que eu não poderia admitir isso no meu velório. E decidi que não queria morrer desta doença infernal.
E foi assim, no meio da bagunça total que voltei a enxergar tudo com clareza e me senti capaz de resolver este terrível mal, sem ter que morrer por isso.
Desisti de tentar mudar ou convencer marido e filhos a terem outro comportamento. Mudei eu.
Assumi o meu papel de dona de casa. Reorganizei meu acordo com a minha secretária para diminuir o trabalho doméstico excedente. No mais, eu mesma limpo quando estou descansada e a fim. Não deixo acumular coisas, além de um limite razoável. Faço tudo com amor e satisfação. Quando não estou com vontade, também não faço, com o mesmo amor e satisfação. Sem culpas, nem para mim, nem para os outros. Não permito que ninguém reclame porque está bagunçado ou porque estou gastando meu tempo que deveria ser livre para faxinar a casa.
Com o tempo, os filhos que ainda moram comigo - um já mora em outro Estado, ajudam e até lavam toda a louça, mas em outro estado de espírito. E eu também os educo, em outro estado de espírito. Sem identificar a louça suja como o grande problema, posso perceber o que deve merecer atenção e ser resolvido nos nossos relacionamentos.
Hoje, tenho certeza que desta doença, não morrerei.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Os amigos e a opinião alheia
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| Foto: Marcio Trevisan |
quinta-feira, 17 de março de 2011
O ofensor não pede perdão, e agora?
domingo, 13 de março de 2011
Aulinha de perdão: perdoar é um ato de fé
Só que a lição ficou pela metade. Minhas queridas não ensinaram a processar o perdão dentro de mim. Tipo assim: se há um ofensor precisando ser perdoado é porque há uma ofensa; se existe uma ofensa, existe também uma ferida emocional no coração do ofendido.
Como perdoar para que, de fato, a ferida seja curada e, a partir daí sim, o relacionamento entre ofensor e ofendido restaurado?
Se o perdão for automático ou se não houver perdão, para onde vão os ressentimentos? Se o relacionamento é restaurado e o ofensor continua pisando na bola, eu tenho que perdoar e perdoar e perdoar, a vida inteira, mantendo uma relação sem solução?
Há uma palavrinha que merece atenção especial: amargura. Amargura é o sentimento provocado pelo ressentimento guardado em função do não-perdão. A amargura tem o poder de se instalar no nosso coração e na nossa mente, de forma silenciosa e quase imperceptível; mina a confiança, a esperança, a alegria e o amor. Provoca doenças.
Sem perdão, ofendido e ofensor ficam ligados em uma aura de maldição.
Afinal, está assumida a oração: “perdoai-nos Pai, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Então, enquanto você não perdoa... Deus está autorizado, por nós, como ensinou-nos Jesus, a não nos perdoar.
O desejo mais intenso nos casos de ofensa é do ofensor querer libertar-se, distanciar-se do ofendido. Pelo menos, é o que geralmente se esbraveja para os amigos. Por isso, atenção para este fato: a libertação não acontecerá enquanto não houver o perdão.
E enquanto o perdão não acontece, a amargura se implanta de forma invasiva na nossa alma, contaminando o pensamento, nossos sentimentos e o comportamento. O estrago pode não ficar restrito àquela relação. O medo, por exemplo, de que a ofensa se repita pode prejudicar e até impedir outros relacionamentos.
Então, como processar corretamente o perdão? Eu aprendi assim e até elaborei um passo-a-passo que eu chamo de “aulinha do perdão” para não me perder.
1- Identificar a ofensa e todo o estrago emocional decorrente dela. Atente para o fato de que isso vale para quando você é o ofendido ou quando é o ofensor. O diagnóstico tem que valer para qualquer tamanho de ofensa – grandes, médias ou pequenas. Quando deixamos passar enésimas pequenas, estas viram um monstro de amargura, com altíssimo poder destrutivo.
2- Identificada a amargura, faça uma oração e peça que o Espírito Santo de Deus, aja na sua vida para que este sentimento não se instale.
3- A ofensa pertence ao ofendido. O ofendido é, portanto, o dono do perdão. Ninguém pode perdoar no lugar do ofendido.
4- Como seres humanos, não temos a capacidade de perdoar. Humano é querer revidar a ofensa da mesma forma ou com mais intensidade ainda. Só perdoamos porque recebemos um ensinamento que veio de Jesus Cristo. Não há amor, nem paz, sem o perdão. Não há relacionamento com Deus, sem perdão. Então, perdoamos porque acreditamos nisso. Este é o estado de racionalidade do perdão. Perdoamos porque temos fé no amor e no poder de Deus, que é misericordioso por natureza.
5- Quanto mais imediatamente à ofensa perdoamos, mais rápido recuperamos a saúde física, emocional e de nossos relacionamentos, mas o mais importante: o perdão rápido é o mais difícil e por isso é uma possante prova de fé. Quando estou com o meu peito dilacerado, minha mente e coração carregados da raiva, tristeza, decepção e humilhação é impossível perdoar – porque não esta não é uma capacidade humana. Este é o melhor momento para pedir socorro a Deus e orar: “eu perdôo tal pessoa que me fez tal ofensa; Senhor que o Espírito Santo lave meu coração de todo ressentimento e amargura.” O mesmo vale para pedir perdão a Deus e ao ofendido por uma ofensa praticada.
6- É imperativo falar: “eu perdôo” ou “eu peço perdão,” primeiro em oração a Deus e, na seqüência, se você é o ofensor, para o ofendido.
7- Acredite que o Espírito Santo vai operar neste relacionamento a fim de libertar – você é o seu ofensor de toda a opressão. Esteja preparado para um encontro.
8- É comum que mesmo depois de abrir seu coração para Deus e até de ter uma conversa com o ofensor e perdoar com sinceridade, os sentimentos ligados a ofensa ainda possam incomodá-lo. Quando isso acontecer, o pensamento deve ser firme: “eu já perdoei; raiva, amargura, ressentimentos não me pertencem mais.” Ore e chame o Espírito Santo para atuar nesta situação, quantas vezes for necessário.
Este artigo ficou muito longo, e ainda há aspectos importantes a tratar. Vou deixar para próximas postagens. Por enquanto, fica isso: diagnosticar a ofensa, identificar seus sentimentos em relação a isso, orar pela ajuda do Espírito Santo de Deus e perdoar. Funciona. E muito!
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Por que está tão pesado?
| Marcio Trevisan |
Tenho dois filhos pequenos, quero ter mais um, sou separada e conheço um divorciado com uma filha e um ex-casamento mais complicado do que o meu. Porque quero ter uma familía, unida e harmoniosa - com a filha dele, os meus e o que ainda vamos ter, lanço-me na armadilha de assumir o controle e a responsabilidade sobre todos estes relacionamentos como se pudesse evitar conflitos e fosse capaz por mim mesma de resolver tudo e decidir qualquer coisa no lugar de quem quer que fosse.
Ficou pesado por que? Porque quiz ser mãe da minha enteada, assumi o papel também do pai dela. E mais: (diria o vendedor das facas Guinzo) intermediei - não - me impus (com a aprovação de todos, é claro) como o elo entre ele e a ex. Fui demais - de besta! Me cansei e é claro me dei muito mal.
Gastava uma energia tremenda para atrapalhar Deus. Impedia meu marido de se resolver, do jeito dele e daí (?) com a ex; de encontrar um modo de ser um pai presente na vida de uma filha que não poderia viver com ele.
E depois de achar que tudo seria bom se fosse do meu jeito - porque eu decidia tudo, encontrei-me com a face mais dura desta realidade, nos papéis que eram realmente meus - o de esposa, de mãe dos meus filhos e de madastra da minha enteada - eu deixei quase tudo a desejar. Pesou e muito.
Tudo estava fora do lugar. Mas bastou que eu voltasse aos meus papéis para que tudo se reposicionasse. Algum tempo e esforço para me perceber, coragem para encarar estes desvios e, principalmente uma overdose de confiança no amor foram ingredientes indispensáveis.
No dia-a-dia, no caminho de mudança, muitas vezes não sabia como agir, como me posicionar, o que falar. Nestas horas, não falava, não me posicionava, não agia. Com o tempo aprendi a me perguntar antes de reagir: "qual é o meu papel nesta situação?" E então, respondia levando em conta qual seria minha melhor maneira de desempenhar este papel. E se o meu interlocutor ainda não era capaz de identificar a diferença entre uma simples opinião e uma determinação minha, simplesmente me calava, apoiando-o apenas.
Quando nos reposicionamos com opiniões diferentes do que as pessoas a nossa volta estão habituadas, desacamodamos tudo. É incrível, mas a tendência ao comodismo, mesmo em cenários ruins é quase imperativa. É preciso ter força de vontade para viver relacionamentos saudáveis. Mas vale a pena. Leveza, visão e felicidade estão entre as recompensas. Mas o melhor de tudo é a incrível sensação de estar vivendo a verdade e de verdade!
Está pesado? Você está fazendo a tarefa de quem? E enquanto você faz a dos outros, quem está fazendo a sua? Responda. Conheceis a verdade e a verdade vos libertará. Confia. Funciona.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Sim, eu sou um controlador
| Marcio Trevisan |
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Vamos nadar?
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| Foto: Marcio Trevisan |
Muito antes de reconhecer que meu segundo casamento caminhava para o fim, deu uma vontade louca de fazer exercícios físicos. A alternativa mais razoável para a minha jornada - sempre excessiva de trabalho, era aproveitar uma hora de espera dos meus (dois, à época) filhos que treinavam natação, depois do horário normal de aula. Tudo bem que eles tentavam fingir que não conheciam aquela mulher, com aquele nado desengonçado, na última raia. Era um mico pra eles que tinham 12 e 10 anos.
Eu já sabia nadar, mas sempre tive dificuldade em coordenar a respiração com as braçadas. Desta vez, porém, surgiu uma situação nova. Quando eu mergulhava e tentava abrir os olhos, ocorria uma sensação de pânico. Ao abrir os olhos, a respiração era cortada de súbito, eu engolia água e batia um medo que me fazia parar de nadar.
Não conseguia entender. Insisti. No meu jeitão de racionalizar tudo e tentar construir uma analogia entre o meu estado físico e o emocional, percebi que simplesmente não conseguia enxergar e respirar ao mesmo tempo. E insisti mais. Não conseguia sobreviver, sem me iludir, sem mentir para mim mesma.
Na água, a treinadora providenciou um óculos como recurso paliativo. E assim, a cada mergulho agreguei um pensamento: "quero respirar e enxergar; respirar, sobreviver e enxergar a realidade" - sem máscaras, sem me fantasiar e nem maquiar as pessoas com as quais me relacionava".
Nadava e pensava, olhava, pensava, respirava, olhava e nadava.
Dia após dia, na piscina, a coordenação motora, impulsionada pela força desse pensamento permitiu-me organizar os movimentos de braços, pernas e cabeça com a respiração e... o abrir dos olhos. Meu nado melhorou.
Não muito tempo depois, quando a verdade foi prevalecendo sobre a mentira medonha que reinava naquela relação e toda dor e confusão tomaram conta de mim, voltei mentalmente à piscina. Lembrei-me que eu mesma fiz a opção de conhecer a verdade e sobreviver. Eu havia rejeitado, de fato, a mentira.
Quando cheguei ao fundo do poço da desilusão e decepção foi nesta base que toquei para impulsionar-me de volta à superfície.
Encarar que eu não podia sequer me colocar como vítima do mentiroso que era o meu marido, mesmo que isso fosse verdade, foi muito dolorido. Mas eis que sempre nos cabe uma escolha. Afinal, por mais humilhada ou pra baixo que pudesse me sentir, o modelito de vítima eu nunca consegui vestir. Mais uma escolha! A verdade maior e gritante: ninguém podia mentir mais para mim do que eu mesma. Euzinha fiz isso! Construi um mundão alicerçado na mentira. E isso não tinha nada a ver com o que, de fato, eu sempre quis.
Este foi um super ponto de partida para radicalizar e aprofundar na opção por este conceito de vida: eu e a minha verdade. Mentir para mim mesma, nunca mais, em qualquer área da minha existência.
Ainda é difícil, muitas vezes, mas a escolha diária sempre será esta: a verdade. E daí, a mensagem muito antes da piscina, passou a fazer muito mais sentido. "Conheceis a verdade e a verdade vos libertará". Sacou? E então, vamos nadar?
Duas novas atrevidas
Bom respirar fundo e começar! As novas amigas no grupo são:
Amiga 4: divorciada, menos de 40 anos, mora com dois filhos, profissional da Comunicação.
Amiga 5: casada, mora com o marido e uma filha, profissional da saúde (nada a ver com psicologia ou psiquiatria), difícil vai ser saber a idade dela.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
O piloto automático tem que sumir
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| Foto: Marcio Trevisan |
A coisa toda foi embolando e ficou desse tamanho não se sabe porquê. Quando tudo isso começou? Afinal, nenhuma catástrofe está acontecendo: ninguém morreu, ninguém casou, nem foi demitido. Pior, se algo assim estiver em pauta.
É o dia-a-dia e suas insatisfações. Parece que todos os valores estão invertidos: uma mosca virou um tiranossauro, rex ainda por cima. Eventos festivos transformados num fardo social enfadonho.
Os filhos? Ih, os filhos. O trabalho? Ah, o trabalho. O relacionamento? - Ah! o relacionamento! Com qual dos dois se deve acabar primeiro para, pelo menos, aliviar toda esta carga? Como tudo está pesado! Como tudo está errado e fora do lugar!
Tem tempo que é assim. Nós deixamos chegar a esse ponto! Eu já deixei e muitas vezes! Para cada um, a pressão normal do dia-a-dia pode exercer impactos diferentes na saúde e até no rumo que damos à própria vida. Temos ímpetos - ou às vezes chegamos mesmo a virar tudo de ponta cabeça na ilusão de conseguir ser leve de novo!
Dá uma vontade de fugir!
Uma dica só para quando se sentir nesta tremenda enrascada. Desligue o piloto automático e se perceba.
Garanto que há muito tempo você está ausente de si mesmo. Não entendeu? Daquele jeito: o filho e o marido (ou a esposa) começam a falar e você mal ouve as duas primeiras palavras. No trabalho, o esforço para se concentrar consome uma overdose de energia que você nem tem - então mais cansado, as decisóes e tarefas ficam difíceis, seu padrão de qualidade e a produtividade, ameaçados. Com medo, mais energia para compensar.
Sem ânimo, nào dá para distrair-se com amigos e curtir festas e viagens. O pensamento embaralha. Você está quase robotizado. Reconhecer o que sente em relação aos fatos, com sabedoria e discernimento, é impossível.
Você não está mais aqui. Seu pensamento está sempre no passado, que precisa ser totalmente corrigido ou no futuro que não merce nenhuma confiança.
Então, concentre-se só nisso. Desligue o piloto automático e se perceba. Volte para você. Esteja presente, no presente, em cada momentinho do seu dia. Ouça, veja e sinta de verdade cada coisinha que acontecer, não importa o quê - se bom ou ruim, se alegre ou triste. Faça e faça. Perceba quando não conseguiu, insista. Volte. Treine, treine e treine, até ser assim de novo! Só seja presente. Ejete o piloto automático da sua vida.
Faça só isso e me diga se funciona. Pra mim está dando certo.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Conhecer-se é preciso
Foi assim até a pós adolescência, no inícío da faculdade. Julguei que esse negócio de timidez seria um atraso na minha vida. E como resolvi a situação? Fácil! Criei um personagem de mim mesmo, sem a timidez.
Esta foi uma opção consciente para um problema concreto. Eu não gostava de ser tímida, me recusei a isso e, para variar, adotei a solução que me pareceu mais rápida. (Com o passar dos anos, a ansiedade se tornaria um seríssimo problema na minha vida - mas isso fica para outra postagem).
A solução cênica, na minha opinião, não deu errado. Acho que com o passar do tempo assumi o personagem e me tornei mesmo uma pessoa extrovertida. Mas ainda considero o processo esquisito. Racional ao extremo!
| Foto: Marcio Trevisan |
No início da Amigoterapia, diagnosticar que havia me distanciado perigosamente do que me identificava como indivíduo foi muito difícil. Na realidade, acho que ainda não conclui totalmente esta fase. Será que ela acaba?? Esta fica para o super Juneca, meu filosofoterapeuta responder...
Aprender sobre a importância desses parâmetros a ponto de concentrar boa parte dos meus esforços neste resgate foi um precioso ponto de partida. Sem método, sem linha - apenas a vontade de se redescobrir, com o apoio de amigos. É muito gostoso isso! Também dói, às vezes.
Como se faz? Eu comecei assim: qualquer acontecimento - principalmente os ruins, que me traziam raiva, tristeza ou outra emoção negativa, era matéria-prima para eu debruçar meu olhar sobre mim mesma com o objetivo único de identificar como verda-dei-ra-men-te eu me sentia. É uma tarefa difícil, acredite!
Nesta análise, desprezar por completo a opinião, o sentimento ou qualquer outra coisa relacionada ao outro, para focar exclusivamente toda a atenção em si próprio. Primeiro, só para se reconhecer - do jeito que acontecesse, com o comportamento que rolasse! Sem auto-julgamento, nem compaixão; comiseração ou, muito menos punição. Observar-se. Observar-se e reconhecer-se, com carinho - mas sem dó, nem piedade.
Acho que dá certo, para começar.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Você escolhe o tema
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Ruínas de Massadas, quarto do Imperador, Israel Foto: Marcio D. Trevisan |
Será que nada disso tem a ver com a Amigoterapia? Tem sim. Alguma coisa sempre há de ter. As vezes a gente sabe o que fazer, como fazer, mas sem o rumo, o comando, a dica, não se faz nada. Dá uma preguiça, um medo, uma falta de vontade, uma insegurança, uma falta de tempo, de apoio… um sei lá!
E depois, vem as conseqüências. As consequências e as lamentações. Todas muito bem justificadas, sem dúvida. As coisas não são do jeito que se gostaria que fossem! Poxa, o mundo é realmente uma bosta! E está todo mundo errado! Está difícil! Eu não dou conta!
Escolher é um poder que eu tenho. Para melhorar a situação, no meu caso pessoal, (lembra, eu já me resolvi em relação a fé) ainda acredito que é um poder que vem de Deus - aquele Deus, soberano, criador de todas as coisas, que pode ser carinhosamente chamado de amor, gosta mesmo que eu o chame de pai e é tão presente que mora dentro de mim. Pois é, se o poder que eu posso desfrutar vem dele… É muito poder!! E sim! Eu escolho o tema e também escrevo a redação - do jeito que eu quiser.
Poder você tem. É assim que é? Escolha o tema!
Valeu Dona Maria Ivone!! Grande professoraterapia!!
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Lançado e inaugurado
Conheça e venha comigo!
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Foto: Talles Andrioli |
Amigoterapia! É isso!





